Conteúdo principal

Por Dentro das Missões de Busca e Salvamento:
O Papel Crucial do Operador de Sistemas

Nas missões de Busca e Salvamento (SAR) da Força Aérea Portuguesa, existe uma função de elevada importância: o Operador de Sistemas (OPS). Este profissional assegura a coordenação, segurança e eficácia de operações que, muitas vezes, decidem a diferença entre a vida e a morte.

A função tal como a conhecemos hoje nasceu em 2005, quando o EH-101 Merlin substituiu o helicóptero SA-330 PUMA. Até então, existiam duas funções distintas: o mecânico de voo (Flight Engineer) e o Operador de Guincho, que foram consolidadas numa única, aumentando a eficiência e exigência técnica. O resultado foi o Operador de Sistemas: um militar altamente preparado, responsável por gerir a cabine, operar o guincho e apoiar diretamente o resgate.

O Papel do OPS a Bordo 

 

DSC04626.png (272 KB)

Uma tripulação típica de Busca e Salvamento (SAR) é composta por dois pilotos, um Recuperador-Salvador, um enfermeiro e o Operador de Sistemas que assume um papel central. Enquanto o cockpit (flight station) pertence aos pilotos, a cabine é território do OPS, que prepara o espaço, gere equipamentos e assegura a comunicação e organização de toda a área onde o resgate realmente acontece.

A operação de guincho é uma das suas responsabilidades mais exigentes e desafiadoras. Durante a descida do Recuperador-Salvador, o OPS controla o guincho e direciona o piloto, utilizando fraseologia especifica, com indicações precisas de deriva, altitude e posição tendo em conta que, a partir de determinado momento, os pilotos deixam de ver o alvo. A segurança da tripulação e da própria aeronave encontra-se, inúmeras vezes, na voz, olhos e mãos do OPS. 

É por isso que os OPS são frequentemente descritos como os olhos dos Pilotos. A altitude habitual para colocar o recuperador salvador no exterior do helicóptero ronda os 18 metros, uma altura que combina segurança, estabilidade e eficácia.

Mas o trabalho não termina por aí: o OPS é responsável pela vigilância e observação aérea, avaliando obstáculos, condições do mar ou do terreno e comportamento da vítima no momento da colocação do RS junto ao objetivo. É este militar que estabelece, em conjunto com os restantes tripulantes, se a recuperação pode ser feita de imediato ou se, por exemplo, é mais seguro pedir à vítima que salte para a água em casos de obstáculos extremos na embarcação, evitando riscos adicionais. 

 

 Além das missões de resgate, o Operador de Sistemas participa ainda em tarefas como transporte de cargas suspensas, lançamento de botes para água, transporte de  tropas, inserção de equipas especiais através de fast rope, transporte de VIPs e apoio direto em evacuações médicas.

O Papel do OPS Fora da Aeronave 

Em terra, o Operador de Sistemas continua a desempenhar um papel fundamental. Assegura a prontidão das aeronaves, realiza manutenção de 1.º escalão, pesquisa e se necessário repara anomalias, funcionando como ponte entre a área operacional e a área de manutenção. Esta dimensão técnica é essencial para garantir que cada helicóptero está pronto a cumprir missão a qualquer hora do dia ou da noite.

 

Capa_15DEZ 1.png (3.43 MB)

Formação e Requisitos

 

Tornar-se OPS é um percurso exigente, começando pelos requisitos básicos: ser militar, da categoria de Sargentos, pertencer aos Quadros Permanentes e ser da especialidade de Mecânicos de Aeronaves (MMA) ou Mecânicos de Eletricidade de Aeronaves (MELIAV).

Depois de um concurso interno, os candidatos enfrentam exames médicos e psicológicos rigorosos. Só após serem considerados aptos iniciam a formação específica, que decorre no setor de aprontamento.

O curso divide-se em quatro fases. A primeira é teórica, com duração de duas a três semanas. Seguem-se fases práticas mais longas: guincho em terra, guincho no mar, onde se treinam procedimentos de resgate em ambiente marítimo, e, por fim, resgate em navios e embarcações, uma das partes mais complexas da formação.

 

 

Competências Pessoais e Desafios da Função


Além das competências técnicas, o Operador de Sistemas precisa de qualidades pessoais muito específicas: resiliência, sangue-frio, capacidade de decisão sob pressão e um forte sentido de abnegação. A função expõe estes profissionais a condições adversas, climas imprevisíveis, resgates em embarcações de pequenas dimensões, operações noturnas e cenários de risco elevado.

Ainda assim, o lado desafiante é também o lado mais recompensador. Para um OPS, cada missão bem-sucedida representa um contributo direto para a proteção da vida humana e para a missão da Força Aérea Portuguesa.  É um trabalho exigente, mas profundamente gratificante.

O Essencial do Operador de Sistemas

Ser OPS é estar no centro das operações, coordenando a ação do Piloto e do Recuperador-Salvador com precisão milimétrica. É transformar complexidade em segurança, improviso em solução e risco em vida salva. 

E é por isso que, discretamente, estes profissionais continuam a ser um dos pilares da capacidade SAR nacional: sempre prontos, sempre preparados e sempre focados na missão.

Se te revês neste espírito de missão, descobre como podes fazer parte da Força Aérea Portuguesa e viver esta realidade todos os dias.